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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A origem do Reisado e o Reisado do ESCUTA

Por: Leonardo Sampaio.


O Reisado tem origem na África, no Egito. As primeiras manifestações se deram em uma festa egípcia chamada de Festa do Sol Invencível, comemorada em 6 de janeiro e considerada uma festa profano-religiosa. Essa data, no calendário do catolicismo, é celebrado a Epifania, dia em que Jesus Cristo se manifesta a todos os povos.

Na tradição, essa data foi o dia que os Três Reis Magos do Oriente, Baltazar, Melchior e Gaspar (Mts 2), enquanto sábios, representando toda a humanidade daquela época, chegaram a Jerusalém para visitar o Menino Jesus e perguntaram ao Rei Herodes: "Onde está o Rei dos Judeus, recém-nascido? Vimos sua estrela e viemos adorá-lo". Traziam presentes para ofertar ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra, simbolizando a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei. Para os judeus, não poderia existir um Deus, que seja de todo o mundo. Herodes logo tramou, disse aos Magos, que ao retornarem dessem notícias sobre o Menino. Os Magos não retornaram com a informação e o Rei determinou que todos os meninos de Jerusalém com idade até dois anos, seriam mortos. Esse foi o primeiro atentado de morte contra Jesus Cristo e ele escapou.

Na Europa o dia 6 de janeiro passou a ser a data comemorativa católica mais importante do que o próprio Natal em 25 de dezembro, fixado como dia do nascimento de Jesus Cristo. E foi de lá que o Reisado chegou à América-Latina, através da Espanha e de Portugal. “Na Europa inteira é feriado no Dia de Reis”.

No Brasil, o Reisado foi trazido por Portugal e se espalhou pelas regiões com muitas variedades, se adaptando às diversas culturas dos povos de cada localidade. No Nordeste o Reisado vai se misturando às culturas afro-brasileira, indígenas e europeias que se juntam aos tambores e aos benditos ritmados pelo: zabumba, violão, ganzá, agogô, pandeiro e triângulo. São instrumentos utilizados em terreiros e igrejas cristãs, o que revela o encontro da Umbanda, do Candomblé, do catolicismo e o indígena.

No Pici, bairro de Fortaleza, até a década de 1980, o Reisado de porta em porta era “tirado” por grupos de jovens da Igreja Católica e por um grupo de pessoas negras, de terreiro, que migraram de Iguatu, no Ceará.

Na década de 1990, a Comunidade Eclesial de Base Frei Tito, transforma a Escolinha, em Espaço Cultural e vai pesquisar entre os moradores do Pici, o que conhecem de cultura popular. Dessa forma, foi encontrado o Reisado do interior do Ceará, adormecido no espaço urbano na mente e no coração das senhoras que viveram da infância e a juventude ouvindo e cantando músicas de reisado e foi por meio delas que nasceu o Reisado do ESCUTA – Espaço Cultural Frei Tito de Alencar, que completa 26 anos em 2016. O Reisado do ESCUTA criou forma própria com cores, ritmos e arranjos, hoje registrados em vídeos, livros e três CDs, além de jornais, canais de televisão, blogs e sites.
Festa de Santos Reis no ESCUTA

Para comemorar esse tempo histórico, no dia 06/01/2016 o ESCUTA tem uma programação iniciando às 19hs, com lançamento de um CD autoral, com a presença de Jairo de Carvalho e Elaine do CEBI-Centro de Estudo Bíblico e do Maracatu Solar, Pingo de Fortaleza cantor e fundador do Maracatu Solar, Eliane Brasileiro cantora e vocalista do mesmo Maracatu, Ângela Linhares cantora e fundadora do Canto em Cada Canto, Auri Pereira cantora que participou do CD Jogueiros, de produção ESCUTA e tem mais o Grupo de Percussão do ESCUTA composto por Luan Sampaio, Wendel Lima, Saulo Nicodemos, Deci Corpi, Leandson Sampaio, Fiuza Morais e Zé Augusto. Terá ainda a exposição de fotografias de Edvania Ayres, artista de artes visuais formando do IFCE e coordenadora cultural do ESCUTA. Haverá ainda a apresentação do Pastoril do ESCUTA coordenado pela pedagoga Karine Cabral. Coordenação e produção: João Paulo Roque, Edvania Ayres e Leonardo Sampaio. O evento acontece na sede do ESCUTA – Rua Noel Rosa, 150 – Pici.


Reisado do ESCUTA no Bairro Jóquei Clube 01.01.16

Reisado do ESCUTA na Com. Entrada da Lua do Pici - 04.01.16




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

História das Mulheres de Todas as Cores que tem o Brilho da Lua – 1992-2015.

     O Grupo de Mulheres Brilho da Lua iniciou suas atividades no ano de 1992, coordenado pela Associação de Organizadores Sociais e Serviços – AMORA, na época em que houve a parceria com Projeto Prorenda da GTZ (Cooperação Técnica Alemã para o Desenvolvimento), que envolvia as organizações comunitárias locais, a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado do Ceará com ações práticas de gestão participativa; Foi na praticidade técnica executada na área de Saúde Sanitária e Serviço Social realizando intervenções urbanísticas na Favela da Entrada da Lua, que se percebeu a participação maior de mulheres, o que veio a despertar a equipe do Prorenda a direcionar formações voltadas para as mulheres da comunidade, principalmente orientando-as sobre os cuidados e ações preventivas no campo da saúde, incluindo as plantas medicinais e direitos.

No decorrer das reuniões com as mulheres, aflorou o saber popular existente entre as mesmas, então vieram especialistas na área das plantas medicinais como a Dra. Profa. Auxiliadora do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), que identificou três doenças na Comunidade que poderiam ser tratadas com plantas medicinais, o Dr. Matos do Curso de Fitoterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Terapia Comunitária do Dr. Prof. Adalberto Barreto, que contribuíram com a formação a partir da experiência das Quatro Varas, no Bairro Pirambu, que utiliza as plantas e o cuidado com a mente como elementos terapêuticos de tratamento preventivo e a cura de determinadas doenças. Houve também a formação com a Pastoral da Criança sobre alimentação enriquecida, com o aproveitamento de cascas, sementes, farelos e a manipulação de ervas para lambedores, pomadas e tinturas. Todas essas vivências entre parceiros, especialistas e a comunidade com o saber popular permitiu a elaboração de uma cartilha com as receitas populares e a orientação científica.

Com a participação maior das mulheres, surgiu a necessidade de uma organização popular, então, D. Marina, que havia participado da Jornada de Luta Contra a Fome no período de seca nos anos de 1980, sugere a criação do Grupo de Mulheres Brilho da Lua, sendo acatado com o objetivo de realizar ações voltadas para os interesses comunitários e políticas feministas de direitos e cidadania capazes de contemplar estudo, formação, trabalho, renda, cultura, lazer, cuidados com a saúde etc.

Uma das primeiras intervenções práticas do Grupo foi criar canteiros de plantas medicinais em uma área de terra do Sítio Ipanema, resultando posteriormente na criação do Horto de Plantas Medicinais, que hoje se chama Raimunda Silva em homenagem póstuma à D. Nem, que foi uma das fundadoras do Grupo, e que fica localizado na Rua Piracicaba, 128, Pici – Fortaleza/CE, onde se desencadeou um processo de formação em educação alimentar, agroecologia, preservação do meio ambiente, gastronomia, fitoterapia, alfabetização de jovens e adultos, economia solidária e agricultura urbana, educando crianças no trato com a terra, adubagem e a produção alimentar orgânica.

O Grupo de Mulheres Brilho da Lua chega ao ano de 2015 se afirmando na configuração de linha feminista, tratando da formação de gênero, empreendedorismo na Socioeconomia Solidária, Agroecologia e a Cultura Popular, tendo como base metodológica a Educação Popular alinhado institucionalmente com o Espaço Cultural Frei Tito de Alencar – ESCUTA, que fica na Rua Noel Rosa, 150 – Pici – Fortaleza/CE.

O Grupo tem caráter informal e representativo composto por uma Coordenação de Articulação, Formação em Gênero, Equipe de Registro e Patrimônio, Equipe Financeira, Equipe de Empreendedorismo (produção e comercialização), Equipe do Horto de Plantas Medicinais, Equipe do Salão São Francisco e a Equipe do Bazaca. 

*Artigo escrito por Leonardo Sampaio e Lúcia Vasconcelos para a Revista do Bairro Antônio Bezerra.

Liduina, Carminha, Socorro, Valmira, Sueli, Fransquinha, Nice e Lúcia.
Liduina, Carminha, Socorro, Valmira, Sueli, Fransquinha, Nice e Lúcia, algumas integrantes do "Grupo de Mulheres de Todas as Cores que tem o Brilho da Lua" no Horto de Plantas Medicinais Raimunda Silva que fica no Pici - Fortaleza/CE.